Vereadores assinam moção contra a privatização da Corsan
Documento foi proposto na sessão da última segunda-feira (22), pelo vereador Jorge Willian Feistler (PTB) e assinado por todos
PUBLICADO EM 26/03/2021 - 08:31

Os vereadores da Câmara de Candelária assinaram um documento se manifestando contra a privatização da Companhia Riograndense de Saneamento (Corsan). Durante a sessão ordinária da última segunda-feira, 22, o vereador Jorge Willian sugeriu o envio de uma moção de repúdio contra a intenção do governo estadual em vender as ações da estatal. A iniciativa teve adesão de todos os 13 parlamentares, que assinaram o documento. A moção será encaminhada ao governador Eduardo Leite (PSDB), à Corsan e à Assembleia Legislativa.

No documento, os vereadores citam que a estatal é uma empresa eficiente e lucrativa. Só nos últimos 4 anos, deixou mais de 1,2 bilhões de lucro nos cofres do Estado. Além disso, a Corsan tem experiência, capacidade e corpo técnico e funcional preparado para cumprir e atingir todas as metas do saneamento básico no Brasil. Segundo a moção, os principais prejudicados com privatização serão os pequenos municípios e a população menos favorecidas. A justificativa é de que os investimentos públicos tratam e resolvem os problemas, pois com uma estatal o objetivo principal não seria o lucro como acontece em uma empresa privada.

Também é mencionado no documento que o governador havia se comprometido durante a campanha eleitoral de que não iria vender a estatal. O vereador Jorge Willian Feistler (PTB) levantou o assunto na tribuna durante a última sessão. Ele disse que a venda da estatal à iniciativa privada não é uma solução viável, principalmente neste momento de pandemia. "Privatizar uma empresa que mantém o abastecimento de água, essencial para higienização e combate à contaminação, em 317 municípios gaúchos é umas das mais fortes demonstrações de descaso do Estado em prestar bom serviço público", comentou. Ele lembrou ainda da privatização no município de Uruguaiana, onde as tarifas de água encareceram ao consumidor, após a privatização.

Já o vereador Alan Wagner (PSB) falou sobre o bom serviço que a Corsan de Candelária presta a comunidade. "Tem que privatizar quando o serviço não está funcionando, mas não é o que vemos aqui. A Corsan não faz um trabalho 100%, isso seria impossível, mas está funcionando bem, prestando um bom serviço para a comunidade", ressaltou. Celso Gehres (Progressistas) afirmou que a privatização pode ser uma solução momentânea para o caixa do governo e não seria uma alternativa para solucionar os problemas que a companhia tem.

Gehres e Wagner apontaram que a falta de comunicação entre o contribuinte e a empresa que venha a assumir a Corsan pode ser um grande problema. Isso já acontece com outras estatais que passaram pelo mesmo processo de privatização. Eles citaram como exemplo a atual concessionária de energia elétrica RGE Sul, que assumiu o comando da antiga AES Sul. A vereadora Jaira Diehl (PTB) lembrou sobre a parceria que a Corsan tem com a prefeitura para levar água a inúmeras localidades do interior. "Se não fosse essa parceria, muitas comunidades não teriam água potável", ressaltou.

Para a venda de ações da Corsan, o governo do estado precisa de uma autorização da Assembleia Legislativa. No entanto, antes de votar a venda da empresa, o Palácio Piratini precisa que os deputados derrubem a exigência de um plebiscito para operações do tipo. A ideia do Estado é deixar de ser controlador, mas permanecer como acionista de referência da companhia, com 30% das ações. Com isso, o governo pretende manter participação nas decisões para o futuro da companhia.

Qual o seu nível de satisfação com o atendimento da Câmara?

Satisfação Quantia
Muito Insatisfeito 0
Insatisfeito 0
Neutro 0
Satisfeito 0
Muito satisfeito 1