Na manhã desta sexta-feira (12), a Câmara de Vereadores de Candelária recebeu a equipe responsável pelo projeto “Linhas de Cuidado em Dor Crônica e Saúde Mental com a oferta de PICS para o cuidado integral”, uma política pública nacional desenvolvida pela Fiocruz e Ministério da Saúde em parceria com a Secretaria de Saúde do Estado, da qual o município passou a integrar.
Atualmente o projeto percorre cinco estados e 15 municípios, construindo articulações em nível estadual e local. Cada ciclo de trabalho possui duração de nove meses, com uma carga horária de 130 horas, combinando encontros remotos e presenciais. Desde agosto, o grupo vem se reunindo virtualmente/presencialmente e, nesta semana, a equipe externa está no município para as atividades presenciais.
Embora o projeto abranja diferentes frentes, em Candelária o foco será especialmente o cuidado em saúde mental, diante dos índices de suicídio que preocupam e se destacam negativamente quando comparados à média nacional. A iniciativa busca qualificar esse cuidado por meio das Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (PICS), reconhecidas pela OMS desde 1976 e institucionalizadas como política pública no Brasil desde 2006 e no Rio Grande do Sul desde 2013.
A coordenadora do projeto, Carine Ferreira Nied (Fiocruz), natural de Candelária, apresentou a iniciativa ao lado de Lisiane Löbler, da Secretaria de Saúde do Estado, que detalhou a política estadual para o tema e explicou como ela se integra ao projeto. Ambas ressaltaram que a proposta é ampliar o olhar sobre saúde mental para além do viés da doença, valorizando a qualidade de vida e as potencialidades das pessoas. Elas destacaram ainda que a mudança de cultura no cuidado passa pela oferta de recursos integrativos e complementares ao uso de medicação, como yoga, meditação, acupuntura, auriculoterapia e aromaterapia.
As equipes ressaltaram que esta fase inicial do projeto exige acompanhamento próximo, a fim de garantir uma rede de profissionais, gestores e instituições bastante afinadas entre si. “O objetivo é implementar tratamentos coletivos e fortalecer práticas que rompam com a cultura arraigada de automedicação. Para uma mudança dessa natureza — que envolve alterar hábitos, percepções e formas de cuidado — é essencial engajar e envolver diferentes atores, incluindo profissionais, gestores, usuários e o próprio Poder Público”, afirmou Carine.
A expectativa é de que, em um próximo momento, o projeto seja ampliado para até 150 municípios.
A assistente social Dariele Thaís da Silva, facilitadora indicada pelo município para o projeto, explicou que a rede local está em fase de análise das fragilidades e potencialidades do território. Segundo ela, os dados estatísticos sobre saúde mental em Candelária são preocupantes, reforçando a urgência de ampliar tanto o escopo de serviços, quanto os horários de atendimento. “Hoje, práticas como auriculoterapia e aromaterapia já são disponibilizadas uma vez por semana em diferentes bairros, mas a meta é mapear outras terapias que se adequem à realidade local e estruturar uma oferta mais abrangente”, explicou.