A convite da vereadora Cristina Rohde, esteve presente na Câmara de Vereadores de Candelária, na noite de ontem (02), o curador do Museu Artistides Carlos Rodrigues, Carlos Rodrigues, para conversar com a comunidade sobre a paleontologia no município. Participaram da atividade os vereadores, o prefeito Paulo Butzge, diretores de escola, representantes de entidades, voluntários do Museu e comunidade em geral. Recebendo os convidados, o presidente do legislativo Cristiano Becker destacou a importância de abrir as portas da casa do povo para discutir e levar ao conhecimento de todos os assuntos relevantes para o município. "É muito importante para nós aqui da casa do povo, quando tomamos uma iniciativa, assim como a vereadora Cristina tomou, que a comunidade esteja presente, pois a comunidade é a porta voz das boas ideias e vocês poderão nos ajudar com boas ideias para buscar mais", salientou. A vereadora Cristina Rohde, apresentou o município de El Chocón, na Argentina, que explora muito bem seu potencial peleontológico e faz dele seu carro chefe para o desenvolvimento. De acordo com a vereadora, a cidade de cerca de 2 mil habitantes fez dos fósseis sua principal fonte de renda, explorando o turismo da região. Além disso, o município vizinho, Plaza Huincul, também se organizou em torno da paleontologia, sendo o Museu Municipal Carmen Funes seu principal atrativo turístico. No entendimento da vereadora, é unanimidade entre os vereadores a necessidade de avançar na área da paleontologia em Candelária, com a construção de um museu à altura das potencialidades do município. "Candelária tem uma riqueza ímpar e estamos um pouco anônimos nessa questão", ressaltou.Cristina destacou que uma alternativa de dar visibilidade ao Museu Carlos Rodrigues e ao município pode ser o uso da internet e disse que podem ser aproveitados os endereços eletrônicos do executivo e do legislativo para isso. Além disso, na busca de um foco para trabalhar a paleontologia em Candelária, Cristina acredita que ele deve ser a educação, baseado no número de visitas que a entidade possui de escolas e universidades. "Temos que ter um olhar muito especial e não podemos perder mais tempo tendo tantas riquezas como temos em Candelária. Vejo que o Museu tem atendido a tantas pessoas e nem temos uma grande divulgação. Temos uma mídia tímida", salientou. O MUSEU - O curador do Museu Aristides Carlos Rodrigues, Carlos Rodrigues, apresentou um breve relato sobre as eras geológicas e o porquê de Candelária apresentar tanta riqueza em seu solo, que já contabilizam a descoberta de 31 animais de 16 espécies. Vários são os locais que abrigam fósseis descobertos em Candelária, como os municípios de Mata e Santa Maria, o Museu Nacional do Rio de Janeiro, a Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), a Pontifícia Universidade Católica (PUC) de São Paulo e a Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul. Em Candelária já foram encontradas várias riquezas inéditas no mundo da paleontologia, como o Candelariodon barberenai, Guaibassaurus candelariensis, Jachaleria candelariensis, Candelaria barbouri, Riograndia guaibensis, Charruodon tetrascuspidatus e um fitossauro, único encontrado na América do Sul. Uma das realidades que Candelária enfrenta é de ser muito conhecida apenas no campo científico, o que delimita um pouco sua visibilidade. "Quem ouviu falar de Candelária está no nível da ciência, mas não no nível do turismo, por exemplo", salientou Carlos Rodrigues. Embora a pouca visibilidade do setor do turismo, Rodrigues destaca o trabalho desenvolvido pela secretaria de Turismo do município, que tem levado a paleontologia de Candelária para exposições e feiras que participa, como a Expoagro Afubra deste ano, que contou, no estande da prefeitura, com um espaço dedicado ao Museu, com réplicas de animais encontrados no município. Além de fósseis, Candelária apresenta vestígios de homens primitivos, de reduções jesuíticas, revolução farroupilha e colonização germânica que, segundo o curador, são exemplos singulares e se bem explorados trarão muitos resultados positivos ao Museu e não serão perdidos no tempo. EXPECTATIVAS - Para o futuro do Museu, Carlos Rodrigues acredita que seja necessário repensar a questão da representatividade, da mídia e de ações de marketing para o Museu e o município. "Temos aqui um tesouro singular, de cunho internacional. Independente do tamanho do Museu, ele é internacional, porque o patrimônio é internacional", frisou. "As pessoas não sabem, mas o Museu é extremamente visitado. Temos visitas de 100% das escolas do município, desde a creche municipal até a universidade de Tubingen, na Alemanha", esclareceu. Para o curador, é necessário qualificar o Museu e conhecer o patrimônio de Candelária, porque há patrimônio se perdendo, há afloramentos ainda desconhecidos, que muitas vezes são impedidos pelas chuvas de ser descobertos. "É necessário recolher esse patrimônio e explorá-lo, dando importância cultural, educacional, científica e que fomente o turismo", ressaltou. O que Carlos Rodrigues almeja para o futuro do Museu é que se façam convênios com entidades para poder dar passos maiores. Atualmente, o Museu só possui convênio com o município, cujo valor repassado será utilizado para a compra de canetas pneumáticas que serão utilizadas na limpeza dos fósseis. O Museu já possui um projeto de expansão, possuindo cartas de recomendações de diversas universidades e cientistas para alavancar as parcerias. Uma alternativa para arrecadar recursos é a venda de camisetas personalizadas do Museu e bloquinhos. "A venda das camisetas e dos blocos nos ajuda, mas isso não chega para o nosso sonho", lamentou. O prefeito Paulo Butzge complementou dizendo que a paleontologia é uma prioridade em Candelária, mas disse que em função do mau momento nas finanças não pode oferecer em 2013 nada além do convênio já firmado. Ele prometeu para breve uma iniciativa que irá alavancar a paleontologia e promover esse campo em Candelária. Além disso, o prefeito se comprometeu a operacionalizar um espaço destinado o Museu Carlos Rodrigues no sítio da prefeitura, de forma a tornar mais visível esse patrimônio do município. "É uma de nossas prioridades. Estamos perdendo tempo e já devíamos estar mais avançados em descobertas aqui no município. Sabemos das necessidades do Museu e estamos comprometidos em buscar alternativas, como encontrar um espaço mais amplo, o que nos proporcionaria trazer recursos de fora. Dentro do que podemos fazer, saibam que o município está empenhado na paleontologia, e no ano que vem esperamos atuar com mais força, inclusive em recursos", definiu o prefeito.