Na Sessão Ordinária desta segunda-feira (17), Grazieli Priebi, secretária municipal de Saúde e Carine Ferreira Nied, Apoiadora Institucional do QualisAPS, na SES no Distrito Federal e pesquisadora da Fiocruz Brasília, estiveram presentes para falar sobre as novas ações do Programa da Atenção Primária, Estratégia da Saúde da Família, bem como, a ampliação do número de profissionais para o município, no Programa Mais Médicos do Governo Federal.
O Programa da Atenção Primária conta com o foco principal na área rural, sendo a população mais vulnerável e com maior dificuldade de acesso. Conforme a secretária da Pasta, tais ações são em conjunto com o Governo Federal e viabilizadas pelo vereador Marcelo D’avila (P), que em visita à capital federal, reuniu-se com Nied, em busca de apoio às ações de saúde de Candelária.
Grazieli destacou alguns pontos que devem ser aprimorados na saúde municipal com relação ao acesso de qualidade, “não adianta ampliar os atendimentos e exames se não ampliar com qualidade e a Carine vem nos ajudando nessa ampliação, re-mapeando todo o município, cadastrando todos os usuários novamente e transformar as nossas equipes de Atenção Primária em Saúde em Estratégias de Saúde da Família”, explicou.
O problema principal atualmente é com relação à entrada ao Sistema Único de Saúde e também é onde o usuário tem uma melhor qualidade nos atendimentos. Nesse sentido, Carine explicou que em conjunto, estão sendo pensadas estratégias de implementação e do que o Ministério da Saúde atualmente tem financiado e priorizado como melhor proposta de saúde para a população.
Esse mapeamento levará em consideração as características da população em questão, incluindo idade, gênero, quais as principais necessidades, locais em que residem, quais as vulnerabilidades sociais e econômicas da população, “é isso que irá compor o mapa para que possamos pensar na gestão”, frisou Nied.
As questões relacionadas a demografia são amplamente levadas em consideração, uma vez que as estratégias para a população urbana são distintas da rural, principalmente em relação ao acesso e deslocamento.
Já o critério da vulnerabilidade é condicionante para pensar no tipo de estrutura que o município tem, “quando olhamos para a população de Candelária, tem um desafio enorme para a gestão e não somente a gestão executiva, mas legislativa para se pensar nestas características, pois, a população está dividida em uma pequena extensão urbana e em uma grande extensão rural”, analisou Carine.
Atualmente é estabelecida uma equipe de Estratégia de Saúde da Família para uma população rural de até 2.750 habitantes, “pensar em estratégias da família que pudessem contemplar esse número de pessoas e traçar essa logística, da integralidade do usuário, do ponto de vista das necessidades e das vulnerabilidades, isso requer muita estratégia de gestão e técnica”, acrescentou Nied.
Um dos pontos principais para o desenvolvimento de estratégias direcionadas, é territorial e segundo Carine, se faz necessário saber onde essas pessoas circulam, quais seus hábitos de vida e quais suas necessidades, para que dessa forma, sejam investidos esforços e recursos nos lugares certos.
As profissionais ressaltaram que fizeram uma criteriosa análise no mapa do município e com relação a estimativa populacional, porém, ainda serão analisados os dados dos últimos doze anos do Censo, para estruturar a oferta de assistência de forma mais eficaz.
A Atenção Primária é a porta de entrada e coordenadora para a entrada do usuário no SUS e ordenadora das redes, “é por onde o usuário entra, acessa e é assistido até que a Atenção Primária entenda que a sua necessidade extrapolou o nível de atenção, ela encaminha e referencia pros demais níveis de atenção e por isso, a Atenção Básica deve estar bem estabelecida e fortalecida para que se tenha o resultado esperado”, destacou Carine.
Evidências científicas mostram que a Atenção Primária com cobertura de mais de 80% de equipes de Estratégias da Saúde da Família, que é o modelo, consegue resolver até 85% das necessidades da população, ou seja, somente 15% são demandas que chegam na Atenção Hospitalar ou no nível secundário relacionadas às urgências e emergência.
As Estratégias da Família em Candelária estão próximas de 30% e isso é considerado uma baixa cobertura, considerando os 80%, “isso acontece, pois, parte da população, mais do que o esperado, migra para outros níveis de Atenção e é uma população que geralmente não é acompanhada.
Os pacientes que são monitorados, são acompanhados na Atenção Primária e descompensam menos e consequentemente utilizam menos os recursos da secundária e terciária, “por isso que hoje se aposta muito na Atenção Primária, como uma forma de integralidade do cuidado e uma lógica que não é só no tratamento da doença, mas de promoção e prevenção visando qualidade de vida”, destacou Nied.
Desde fevereiro a Secretaria da Saúde tem articulado com o Ministério da Saúde, a Secretaria Estadual de Saúde e o Conselho das Secretaria Municipais de Saúde do Estado (COSEMS) tanto a nível de Atenção Primária quanto de urgência e emergência.
A intensão é qualificar os processos de assistência e de cuidados com a população e, ampliar a cobertura e as equipes da Atenção Primária no município, “a ideia é criar duas equipes de estratégia que irão atuar dentro do PAN Central, que irão mapear a área urbana do município”, explicou Priebe.
Uma terceira equipe de saúde itinerante também irá atuar nas áreas já atendidas pela Unidade Móvel, com a ampliação do horário de atendimento, com turno integral na localidade que está sendo atendida naquele dia e conforme a Grazieli, “uma terceira equipe que estará dentro do PAN Central, irá atender a população dessas localidades aonde está a Unidade Móvel”.
A secretária da Pasta acredita que as três equipes atuando, terá a cobertura de 100% do território urbano já mapeado e mais da metade do território rural e salientou que, “isso não é da noite para o dia, são ações que serão gradativamente sendo alteradas e o primeiro passo é o mapeamento da zona urbana”.
Em setembro e outubro serão organizadas as primeiras equipes que irão fazer o mapeamento urbano e o remapeamento da população já cadastradas nas 3 unidades de saúde, pois a cobertura é menor do que o ministério recomenda, que é em torno de 4 mil pessoas.
A equipe da Estratégia de Saúde da Família é formada por um médico, enfermeiros, técnicos de enfermagem e agente comunitário de saúde, além disso, odontólogo e agente auxiliar de odontólogo.
O PAN se transformará em uma Unidade Básica de Saúde e conforme Carine, terá quatro equipes, sendo três de Estratégia da Saúde da Família e uma de Atenção Primária. Dessas, duas equipes responsáveis pela região central, uma será itinerante, cobrindo o interior e uma equipe que irá suprir o vazio assistencial e retaguarda pra Estratégia da Saúde da Família.
A implantação das novas diretrizes de gestão irá direcionar os recursos e aumentar a cobertura dos atendimentos de forma personalizada às necessidades de cada pessoa, beneficiando de forma geral a população urbana e rural do município.
Por Maieve Soares Assessora de Imprensa Câmara de Vereadores