Maioria reprova financiamento de R$ 2,5 milhões
Projeto encaminhado pelo Executivo foi apreciado na sessão desta segunda-feira (15) pelos vereadores
PUBLICADO EM 17/06/2020 - 13:29

        Por oito votos contrários e quatro favoráveis, os vereadores reprovaram na sessão desta segunda-feira (15), o projeto de lei 109/2019, que previa abertura de crédito para a prefeitura municipal de Candelária junto ao Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE), no valor de R$ 2,5 milhões. Segundo a prefeitura, o valor seria aplicado na finalização da pavimentação da Rua Intendente Albino Lenz com a construção de uma galeria sobre o Arroio Molha Pequeno, bem como de alguns trechos da Rua Nove de Maio e Rua 22 de Abril.

        O projeto estava na Casa desde dezembro e só foi votado após inúmeros questionamentos das comissões da Câmara, por se tratar de um investimento alto e com período grande de pagamento. A maioria dos vereadores se manifestaram contrário ao financiamento pelo momento de incerteza econômica que o município, assim como todo o país vive por conta da pandemia e também pela estiagem que afetou a produção agrícola. Foram favoráveis apenas quatro vereadores.  

        Contrário ao projeto, o vereador Marco Antônio Larger (Progressistas) justificou que o município se encontra em dificuldades e não seria o momento de realizar uma despesa tão alta, sendo que quase a metade do valor seria para construção de uma galeria. “Não sou contrário à obra, pois ela será feita no futuro. Com certeza, irei buscar junto ao meu deputado, assim como outros vereadores, valores para que o município não arque com essa despesa tão alta como a de uma galeria”, comentou.

        Jorge Willian Feistler (PTB) também justificou voto contrário à proposta sendo que a prefeitura não encaminhou o projeto da obra e, segundo ele, foram várias reuniões nas comissões para análise da proposta e as informações solicitadas não foram completas. “Nós não podemos assinar esse cheque em branco ao prefeito. São três gestões para pagar uma conta que não se tem nem projeto. Já aprovamos R$ 5 milhões para a Intendente Albino Lenz”, ressaltou.

        O vereador Celso Gehres (Progressistas) também justificou seu voto contrário como uma medida de cautela. “Hoje a gente vê que o nosso comércio está sentindo. Ano que vem veremos que a municipalidade irá sentir. Temos que trabalhar com previsibilidade”, ressaltou. Segundo o vereador, uma galeria de R$ 1 milhão é um valor muito alto. “Voto contrário neste momento, mas me comprometo, assim como o colega Tonho, a buscar investimentos para a pavimentação”, comentou.

        Quem também votou contrário foi a vereadora Lurdes Ellwanger (PTB). Segundo ela, não existe transparência no projeto. “Foi solicitado mais explicações, mas não conseguiram passar para gente o que precisaria”, comentou. A vereadora ainda citou que o prefeito já sinalizou uma queda na arrecadação do município e existem muitas obras com problemas. “Candelária tem muita obra iniciada e não concluída e muitas obras a toque de caixa que foram feitas com grandes problemas”, afirmou.

        O vereador Daniel Bernardy (PDT) votou contrário pelo momento que o município está passando com a pandemia e a estiagem. “Nós vivemos a maior estiagem dos últimos 100 anos e a previsão é de nova estiagem para a primavera. Então, não podemos endividar ainda mais o município”, justificou. Segundo ele, quando houve um manifesto na ERS-410 pelas más condições, o vice-prefeito Nestor Ellwanger disse que o município não teria condições de fazer uma patrolagem na rodovia.

        A vereadora Jaira Diehl (PTB) também foi contrária à proposta e justificou que o município está em queda de arrecadação. Além disso, a vereadora disse que o prefeito não tinha consciência quando assinou o projeto. “Ele nem sabe o que está dando em garantia para o empréstimo, e ainda existe uma taxa de juros de 5,5%. Isso é muito dinheiro num montante de R$ 2,5 milhões”, revelou. A vereadora também se referiu a ponte que a prefeitura construiu na localidade de Palmital com mão-de-obra própria e disse que poderia ser buscado valor para construção de uma galeria ou ponte na Intendente e a mesma ser construída pela municipalidade.

        Aldomir Severo (PTB) também votou contrário e questionou porque a prefeitura não incluiu o restante da obra no primeiro financiamento aprovado pelos vereadores. Segundo ele, o valor total da obra seria bem menor. O vereador também duvidou sobre o valor orçado. “Foi feita uma ponte na localidade do Palmital por R$ 165 mil, está sendo feito um ginásio de esportes na Picada Roos pelo valor de R$ 290 mil. Uma galeria custaria o valor de dois ginásios e duas pontes?” questionou o vereador. Ilceu Pohlmann (PTB) também votou contra o projeto.

        Apenas os vereadores que hoje compõem a base do governo, Sandra Gewehr (PSB), Rui Beise (PSB), Rodrigo Freire (PSB) e Cristiano Becker (MDB) votaram a favor do projeto. O vereador Rui Beise (PSB) se disse favorável ao financiamento por entender que a municipalidade tinha interesse de tentar buscar recursos para realização da obra tão requisitada pelos moradores. “Entendo que neste momento, mesmo que aprovado, não sei se o banco teria interesse em fazer o financiamento ao município, mesmo assim sou favorável”, destacou.

        Cristiano Bekcer (MDB) também votou favorável ao projeto e justificou a necessidade da finalização da pavimentação da rua, pois segundo ele vai melhorar a infraestrutura e também oferecer maior segurança para quem acessa o município da ERS-400 e da Linha Curitiba. Sobre o financiamento e o valor da galeria, o vereador justificou que há prazo longo para pagamento e carência de 24 meses. “A prefeitura gasta com 140 CCs e FGs, então R$ 1 milhão é dois, três meses de salários”, afirmou o vereador.  

 

Texto e foto: Matheus Haetinger/AI Câmara

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