Audiência sobre segurança elabora demandas
Audiência sobre segurança elabora demandas
PUBLICADO EM 21/10/2015 - 00:00
Para discutir a questão da segurança no campo, sobretudo os crimes de abigeato, foi realizada na manhã de ontem (20), uma audiência pública em Candelária. A reunião, ocorrida na Câmara de Vereadores, teve como proponente o Sindicato Rural de Candelária, que por sua vez contou com o apoio do legislativo. Para o vereador Celso Gehres, o objetivo da audiência pública é a união de forças em busca de alternativas para minimizar o problema sofrido pelos criadores no interior do município. Além do prejuízo dos produtores, a preocupação do vereador também é com a saúde das pessoas, uma vez que esse material subtraído do campo deve ser destinado ao comércio. Segundo dados do delegado da Polícia Civil de Candelária, Rodrigo da Silveira, somente em 2015 já foram registradas mais de 50 ocorrências de abigeato no município, envolvendo 107 animais. Silveira disse que esse ano sete pessoas foram indiciadas por crime de abigeato, considerado difícil de realizar o flagrante e comprovar a materialidade e autoria, mas garantiu que a Polícia Civil está atenta e trabalhando para coibir esse tipo de crime. Para o delegado regional de Polícia, Luciano Menezes, a solução parte de uma teoria de ocupação do espaço. Para ele, no momento em que o poder de polícia tiver condições de fazer seu trabalho preventivo, transitar pelo interior, o número de casos cairá, uma vez que os ladrões serão coibidos de permanecer nesses locais. Participaram ainda da audiência o presidente do legislativo Alan Patrick Wagner; João Dallosto, representando o prefeito Paulo Butzge; o juiz de Direito da Comarca de Candelária Celso Roberto Mernak Fagundes; o promotor de Justiça Martin Albino Jora, o chefe da Inspetoria Veterinária de Candelária Glênio Pereira; a secretária de Saúde Aline Trindade e o consultor da Farsul Jerônimo Barbosa, que falou sobre o projeto de lei para alterar as penas para o furto de gado, que já foi aprovado na Câmara dos Deputados e agora tramita no Senado, de autoria do deputado federal Afonso Hamm. Depois das manifestações de todas as autoridades e de criadores que já foram lesados, a reunião teve como resultado a constatação da necessidade de comunicação e ajuda entre a comunidade, de forma que as pessoas sejam avisadas sobre veículos e indivíduos suspeitos próximos de suas propriedades; o mapeamento e a fiscalização de estabelecimentos comerciais, a fim de coibir a comercialização da carne de animais abatidos de forma clandestina, auxiliar na busca dos ladrões, e impedir que o produto chegue à comunidade; e a realização de ações conjuntas entre a Brigada Militar e a Polícia Civil como forma de prevenção. Sobre isso, o delegado regional salientou que a Brigada conta com equipamentos destinados às patrulhas comunitárias do interior, cujas ações podem ser auxiliadas pelo Clube da Gasolina, entidade que arrecada recursos junto à comunidade para a corporação, que é presidida pelo vereador Gilnei de Souza. "Se não criarmos ferramentas de prevenção, eles vão continuar entrando em nossas propriedades", destacou o delegado regional. Além disso, foi acordado com o Sindicato Rural que a entidade poderá receber informações sobre suspeitos dos crimes para repassar à polícia, uma vez que as pessoas têm medo de relatar alguns detalhes dos crimes no registro da ocorrência, por receio de sofrer represálias. As informações podem ser deixadas, mesmo de forma anônima, na sede do Sindicato. E, para finalizar, deverá ser montado um grupo de trabalho para pensar ações de prevenção e fiscalização, composto por órgãos da saúde, sindicatos, poderes de polícia e comunidade. O Sindicato redigirá um documento com os resultados da reunião e encaminhará para as entidades presentes a fim de dar andamento nas proposições. Boletim de ocorrência - As autoridades que se manifestaram foram enfáticas ao afirmar que todos os casos de violência no interior, seja abigeato ou outros crimes, devem ter boletim de ocorrência registrado junto à Polícia Civil, pois, só assim, os casos poderão ser investigados e poderão ser planejadas ações de prevenção. Além disso, para dar a baixa de um animal junto à Inspetoria Veterinária por abigeato, é necessário o boletim de ocorrência. O representante da Farsul salientou a importância do BO e argumentou que só a partir dele serão articuladas as ações policiais.

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