Na semana passada uma comitiva formada pelos vereadores Alan Wagner (PSB), Ginevra da Silveira (PSB), Jaira Diehl (PTB), Alexandra Bini (P), Cristina Rohde (PSDB) e Cezar Pohlmann (MDB), estive em reunião na 13ª Coordenadoria Regional de Saúde, em Santa Cruz do Sul, com a coordenadora Mariluci Reis, com o objetivo de levar as demandas e questionamentos referentes à demora e espera de pacientes para atendimentos principalmente nas áreas de cardiologia, vascular, traumato/ortopedia e oncologia.
As leis relacionas ao tempo de espera para consultas, exames e em especial, cirurgias, não estão sendo cumpridos e alguns casos do município que se encaixam como urgência e emergência, estão em espera desde 2022.
Na ocasião, a coordenadora explicou como funciona o cadastramento dos pacientes e dos dados necessários para o andamento, “na plataforma de Gerenciamento de Consultas – GERCON, o paciente é cadastrado e entra para a fila única do Estado e em lista de classificação de prioridades, categorizadas como urgência e emergência”.
Para essa categorização, são avaliados e identificados os pacientes que necessitam de atendimento prioritário, de acordo com a gravidade clínica, potencial de risco, agravos à saúde ou grau de sofrimento e as necessidades são determinadas pelos médicos, sendo necessária a atualização dos dados no GERCON a cada nova consulta pela Secretaria Municipal de Saúde, desde que o paciente leve ao órgão responsável.
Além disso, a sobrecarga de atendimentos em determinadas unidades de saúde da Região, que são referência em uma destas determinadas áreas e a falta de recursos, seja pra a contratação de profissionais ou para os procedimentos em si, também estão inviabilizando que os atendimentos tenham maior agilidade dentro do período hábil.
Um dos questionamentos feitos pelo presidente do Legislativo, Alan Wagner, para a coordenadora, foi com relação as cotas de pessoas de Candelária que estão sendo atendidas tanto na média quanto na alta complexidade, “vamos oficiar a 13ª Coordenadoria porque queremos saber quantas pessoas no município estão sendo atendidas e se não tivermos um retorno efetivo, vamos ir até o promotor e precisamos estar alinhados com o hospital e a Secretaria de Saúde para isso”, esclareceu.
Na medida em que são procurados, os vereadores vêm auxiliando pelas vias judiciais e na manhã desta segunda-feira (19), estiveram reunidos com a secretária de Saúde do município, Grazieli Priebe e com os diretores do Hospital Candelária, Julio Stefanello e Lairton Kuhn, para buscar uma solução definitiva para a situação dos pacientes de Candelária.
Conforme foi dito pelos vereadores, as solicitações de pessoas estão em uma proporção muito alta, com uma procura quase que diária pelos parlamentares na busca de agilidade nos atendimentos.
Segundo explicou a secretaria da pasta, quem realiza os lançamentos e a atualização dos dados no GERCON em Candelária é uma servidora, que também acompanha diariamente os retornos e dessa forma, o médico dá vistas e faz a classificação de risco, “o médico coloca o paciente que está sendo atendido como muito urgente, porém, quando o paciente vai pra fila geral, ele deixa de ser, por ter outros casos ainda piores na região de abrangência”, destacou Grazieli.
E isso acontece porque o médico da regulação estadual reclassifica o paciente, “em exemplo da cardiologia, podemos passar até um ano sem marcar uma consulta, porque outros municípios que integram a Região, podem marcar dez ou vinte, seja por serem casos realmente mais graves ou pela descrição que o fazem no sistema”, explicou a secretária.
Também foi explanado aos vereadores que existe um sistema chamado de “Telessaúde”, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS, com todas as especialidades médicas, “nesta situação, o clínico geral pode entrar em contato neste canal e discutir o caso e quando for regular no GERCON, vai haver maior agilidade, pois já constará o primeiro contato pelo Telessaúde e nestes casos em específico, lançamos pela manhã e na parte da tarde a consulta já está agendada”, ressaltou Priebe.
A secretária confirmou que na semana passada houve uma reunião com a equipe do Hospital Ana Nery, na 13ª Coordenadoria de Saúde em virtude de recurso vindo do judiciário e destinado à Oncologia, porém, em casos que envolvem a área dermatológica, por exemplo, não estão inclusos na lista de procedimentos de cobertura do mesmo, “vamos pedir que o Estado inclua, pois, a nossa fila da dermato também é muito grande”, pontuou.
O recurso em questão, faz parte da doação de R$ 96 milhões anunciada em dezembro de 2022 pelo Judiciário gaúcho para a área de Oncologia no Estado, firmado em convênio entre a Secretaria de Saúde, o Tribunal de Justiça (TJ) e a Irmandade Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre.
Com relação à fila de exames, Grazieli revelou que foi zerada em 2022, “graças aos recursos vindos das emendas impositivas destinadas pelo Legislativo, conseguimos dar andamento nesta fila e também auxiliar nos encaminhamentos”, ressaltou.
Segundo Grazieli, a maior problemática está na fila para alta complexidade em Traumatologia em Santa Cruz do Sul, levando em torno de oito anos para a realização de cirurgias e nas áreas de Fisioterapia e Fonoaudiologia, “para Fisioterapia, os profissionais estão priorizando o pós-operatório e dores crônicas e os casos de fono, conseguimos uma profissional da CISVALE, mas com pouquíssimas consultas a mais”.
Outro conflito é com relação aos diagnósticos dos médicos da Atenção Básica e dos especialistas, que prescrevem com uma ótica distinta, “a Atenção Básica não é para isso, é para acompanhar, fazer busca ativa, para investigar, para tratar e ter retorno, dessa forma, enviam para a especialidade e sobrecarrega o sistema como um todo e o especialista não considera especialidade e sim Atenção Básica e vai para uma nova classificação”, ressaltou a secretaria da pasta.
Uma das medidas propostas foi com relação à ampliação de equipes dos profissionais da Atenção Básica, “esse vínculo maior com as estratégias e com os médicos dentro do município, diminuiria as filas de espera”, sinalizou Grazieli.
Em apontamento feito ainda por Grazieli, para obter um retorno mais ágil diante da solicitação de informações sobre os pacientes na fila, é fazer uma ouvidoria, “pode ser ouvidoria municipal, estadual ou no Ministério, dessa forma, vai por meio oficial pro prestador responder com o prazo de 30 dias para isso”.
Após todos os esclarecimentos, será enviado Ofício à 13ª Coordenadoria de Saúde, solicitando informações para saber se, com relação aos outros municípios, qual o andamento quantitativo dos casos de Candelária, em consultas, exames e cirurgias de média e alta complexidade dentro do Estado.
Também há a possibilidade de buscar agenda na Secretaria Estadual de Saúde e ainda, viabilizar uma pauta em reunião da Associação dos Municípios do Vale do Rio Pardo – AMVARP para reivindicar maior aporte de recursos.
Por Maieve Soares/ Assessora de Imprensa Câmara de Vereadores